Faz tempo que não escrevo... é que não tenho tido muito tempo.. minto.. é que não tenho tido vontade... um desânimo me assola e o único desejo ardente que tenho é de me deitar em minha cama, assim que chego em casa... mas o sono, meu fiel escudeiro, nessas noites de cansaço, não tem me feito companhia... tenho dormido tarde.. mas isso não vem ao caso...
O interessante é que numa dessas minhas noites de insônias, especificamente, na última quinta, dei graças a Deus por não conseguir dormir... como companheira a tv... como embalo de ninar, o filme Lisbela e o Prisioneiro...
Sou apaixonada nesta película... como toda boba romântica, acredito na mocinha que encontra seu grande amor... aliás sonho no dia em que serei não Scarlet Ohara ou Ava Garder, mas sonho em ser Lisbela... (E é nessa hora que o meu príncipe estará lendo essas palavras e se perguntando “Como eu ainda não conheci essa garota?”..hehe..e é nessa hora que eu acordo também, mas... vamos ao filme, que é o que interessa...)
Lisbela e o Prisioneiro tem um elenco surpreendente. Selton Mello encarna com louvor o malandro-mulherengo-apaixonante, de nome Leléu, o qual não há como resistir. Selton dá continuidade, nesta película, ao excelente trabalho como ator e se destaca mais uma vez no cinema nacional. Novamente em parceria com Guel Arraes, com quem já trabalhou no impagável O Auto da Compadecida e em Caramuru – A Invenção do Brasil, Selton Mello mostra a habilidade diante das câmeras e faz todo mundo rir muito e, é claro, torcer pelo aventureiro de fala mansa. E se brincar ainda faz todo mundo se converter à Igreja Adventista do Santo Corpo Glorioso.
Mas se Selton é o mocinho, como em toda comédia romântica, há que existir seu antagonista: e este é, sem dúvida, o melhor ator em cena, Marco Nanini. Ele e seu personagem com nome de cantor brega, Frederico Evandro, prendem o espectador até o último minuto e ainda que o personagem não seja cômico em si, sua simples presença e seus trejeitos nada sutis já rendem boas gargalhadas. Débora Falabella, Tadeu Melo e Bruno Garcia também engrandecem o elenco com suas performances. De Débora nem sinal da mineirice. De Bruno o engraçado sotaque carioca. De Tadeu o jeito nordestino a la Os Trapalhões.
A única ressalva a ser feita é a demora em propagar filme tão gracioso, cultura tão popular. Lisbela levou mais de 3 milhões de pessoas às sala de cinema em 2003, ano em que foi lançado e somente na semana passada foi ao ar (mas se bem que isso não é nenhuma novidade...).
No Grande Prêmio Cinema Brasil, o filme angariou dois prêmios: melhor ator para Selton Mello e melhor trilha sonora. E até por isso, na sexta, ainda caindo de sono, uma das minhas primeiras ações do dia, foi ouvir de trás pra frente e de frente pra trás, o cd com as 13 faixas da trilha. Zé Brito, Zé Ramalho e Sepultura, Caetano Veloso e Elza Soares são faixas obrigatórias. “O amor é filme”, de Lirinha, mostra em ritmo animado de marchinha que sabe exatamente isso pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama, da felicidade, dúvida, dor de barriga... e por aí vai. Além de dizer e alto e bom grito que “o amor é filme e Deus o telespectador”.
Mas, sinceramente, são os Los Hermanos que me fazem sorrir de alegria ao traduzir em letra tudo que um dia eu quero ser e ter, pois “Eu quero a sina de um artista de cinema/Eu quero a cena onde eu possa brilhar/ Um brilho intenso/ Um desejo/ Eu quero um beijo/ Um beijo imenso onde eu possa me afogar”. E foi nesta melodia (e, se me permitem, nesta incólume poesia) que finalmente conseguir pegar no sono... e que sono bom...
2 anos atrás
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