sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Meu pretérito imperfeito do verbo ser...




















Final de ano é sempre assim... uma infinita conjugação do verbo ser em seu pretérito imperfeito... Imperfeito como a vida que levo, diga-se de passagem... Mas quem é que pode ser dar ao privilégio de ter uma vida perfeita?

Era para acontecer tanta coisa...
Era para acontecer tanta coisa diferente...

Era para dar um beijo demorado na bochecha gostosa de minha irmã como forma de reconhecimento por ela ser tão amiga e companheira... Era para ouvir a risada dela e ver o levantar de ombros quando eu, de surpresa, a beijasse...
Era para dar mais atenção a minha familía e ter mais tempo pra dizer que amo muito cada um deles.

Era para não ter dito tantas palavras de rancor, ter perdido a paciência em brigas que se mostraram cada vez mais inúteis...
Era para ainda sermos amigas íntimas que um dia fomos, cujo destino e planos seguissem para um apartamento em São Paulo, com muitos sonhos e desafios pela frente... Era para evitar os diálogos superficiais que hoje temos e que me questionam os motivos para a nossa “amizade” ser assim...

Era para sermos mais um casal apaixonado, ouvindo “O último romance” e nos emocionando pelo fato de ainda estarmos juntos... Ou pelo menos, era para sermos como éramos antes, compartilhando longas idéias em agradáveis e bem-humoradas conversas...
Era para ter lido mais livros, visto mais filmes, plantado mais árvores, feito mais amigos, cozinhado mais vezes, chorado menos escondido...

Era para ter me embriagado o bastante para achar que minha vida é boa... Era para ter ficado sóbria o suficiente para perceber que minha vida não é de todo ruim...
Era para ter sido mais organizada com minhas coisas, mais prestativa com as pessoas, mais reflexiva em determinados momentos...
Era para ter sido feliz o tempo todo... era para o tempo ter sido feliz comigo...

O verbo ser, por menos que se queira, tem sua forma mais bela ao ser conjugado como realmente era... Como deveria ser, que 2009 tenha neste verbo sua mais derradeira noção de plenitude... porque era para ser assim...porque é assim que deve ser...

Era para este texto ser bom, agradável e incomum, não tendendo para os jargões e clichês, nem terminando cada frase com reticências (que não fecham nada...mas que para mim concluem tudo). Sobretudo, era para estas palavras não soarem tão melancólicas ou pessimistas...Afinal de contas, daqui a pouco um novo ano chega apagando este verbo e dando oportunidade para novas e inusitadas conjugações...
Bom, apenas era...

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